Regional São José do Rio Preto

Palavra do Delegado

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Emprego de sobra, gente de menos

Nos próximos dois anos, apenas quatro empreendimentos vão gerar 5 mil vagas em Rio Preto.

O grande desafio para os próximos dois anos em Rio Preto é encontrar mão de obra para preencher as quase 5 mil vagas que serão abertas quando uma série de grandes empreendimentos de varejo estiver em funcionamento. Essa demanda, somada à necessidade futura das empresas já instaladas, supera em muito a previsão de jovens trabalhadores rio-pretenses que ingressarão no mercado.

“Existe um risco grande de faltar trabalhadores e isso é preocupante”, afirma a presidente da Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto (Acirp), Adriana Neves. Até 2014 estão previstas pelo menos quatro grandes inaugurações: dois shoppings, um supermercado atacadista e uma grande loja. Esses locais vão precisar de 4.650 pessoas.

O shopping Iguatemi é o empreendimento que mais vai empregar no setor, quando estiver funcionando, em abril de 2014. Serão 3,5 mil pessoas. O shopping Cidade Norte prevê a geração de 800 empregos a partir de outubro deste ano. Além dos dois grandes centros de compras, a cidade vai ganhar uma grande loja do grupo Havan, de 12 mil metros quadrados.

A expectativa é a criação de 200 postos de trabalho. Outro empreendimento que vai gerar 150 empregos é o superatacado Tonin, que ainda não tem previsão de instalação. Com inauguração marcada para 12 de outubro deste ano, o Shopping Cidade Norte vai gerar 800 empregos diretos e outros 200 indiretos.

Segundo a empresa, a carência de mão de obra treinada e, principalmente, comprometida com os resultados para as empresas e para si próprios é uma situação evidente. Sobram oportunidades para gerentes, vendedores, controladores de estoque de produtos e também de caixa de lojas.

Para minimizar o problema e atender à necessidade de seus lojistas, o centro de compras está fechando parcerias com o Sebrae e com a Acirp para recrutar, selecionar e treinar trabalhadores nos setores do comércio e serviços. Além disso, o grupo está contatando escolas técnicas e de graduação para integrar os alunos diretamente no mercado de trabalho.

Carga horária puxada afasta trabalhador

Um dos setores que mais sofre com a ausência de profissionais para preencher seus quadros é o supermercadista. A maior razão para o sumiço dos interessados é a jornada de trabalho considerada pesada, que inclui expediente até à noite, aos fins de semana e nos feriados. “O colaborador muitas vezes prefere ganhar menos por conta do horário de trabalho do supermercado e escolhe outro setor para trabalhar. Esse é um grande desafio”, disse o diretor regional da Associação Paulista de Supermercados (Apas) em Rio Preto, Renato Martins.

Ele afirma que muitas funções dos supermercados, principalmente as mais especializadas como açougueiro e padeiro, têm remuneração maior do que o piso salarial do comércio, além das horas extras. Um açougueiro experiente pode receber R$ 1,5 mil. Atualmente, o piso para empregados de empresas em geral é R$ 856 e para o operador de caixa é de R$ 919. “O mercado de trabalho está aquecido. Essa é uma estratégia para reter o trabalhador”.

Em Votuporanga, o setor e o sindicato dos trabalhadores têm um acordo em que os supermercados não abrem aos domingos e nos feriados. “Essa ação nos ajudou a diminuir a rotatividade em 45%.” Para driblar o problema, Martins diz ainda que o setor tem investido em produtos prontos para o consumo, como bandejas com peças de carne já cortadas. “Com isso, o profissional não precisa ficar o tempo todo na loja.”

Empresa é parceira de escolas

O Atacadão, por exemplo, trabalha para oferecer oportunidades para menores de idade e capacitá-los e assim diversificar seu quadro de colaboradores. Para tornar essa política uma prática, o hipermercado faz parceria com escolas para recrutar estes futuros profissionais. ”Entre os pilares que norteiam a política de recursos humanos do Atacadão está o compromisso de atuar no desenvolvendo profissional dos jovens”, diz nota enviada pela rede Atacadão.

Em Rio Preto, o processo seletivo ocorre com quatro escolas públicas. Lá, a rede distribui cartazes explicativos ou realiza apresentações. As oportunidades são para as funções de empacotadores e jovens aprendizes. Os interessados também podem deixar o currículo nas lojas.

Qualificação é o grande desafio na cidade

O desafio do emprego em Rio Preto passa, além de quantidade, pela qualificação da mão de obra. A presidente da Acirp, Adriana Neves, diz que, hoje, o comércio tem dificuldade em encontrar profissionais capacitados para as empresas, e com o boom do setor vão faltar trabalhadores de todos os níveis. “É preciso acelerar a capacitação e a preparação das pessoas.”

Na semana passada, o Poupatempo e o Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) de Rio Preto tinha 121 vagas disponíveis. Dessas, muitas eram do setor do comércio, como assistente de vendas, promotor de vendas, vendedor de porta a porta, balconista, supervisor de vendas, operador de caixa, entre outros. O diretor regional da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (Sert), Francisco Paulo Marques também teme a falta de mão de obra especializada.

O economista Hipólito Martins Filho afirma que, mesmo que o número de pessoas fosse suficiente para ocupar os postos de trabalho, faltaria gente qualificada. Ele explica que, não necessariamente, quem está apto para entrar no mercado o faz. “Muitos decidem não trabalhar, outros continuam estudando ou ainda podem abrir seu próprio negócio.” 

Para Martins Filho, a maior preocupação tem de ser com a qualificação do trabalhador, principalmente porque deve se consolidar a manutenção da tendência de um perfil local voltado aos serviços. Isso pode ser feito com a criação de novos cursos profissionalizantes, como nas áreas de gastronomia e do próprio comércio. “A qualificação não resolve apenas a ocupação dos postos, mas também melhora o salário, o que agrega mais dividendos à cidade”.

Segundo Adriana, um trabalhador com perfil adequado e na função correta aumenta a produtividade da empresa. “O grande desafio é preparar, qualificar e motivar. Num segundo momento, reter o trabalhador.”

Parceria para capacitar

A entidade tomou a iniciativa de montar uma diretoria de Recursos Humanos e vai fortalecer o papel da diretoria de capacitação e desenvolvimento. Entre os papeis dos órgãos, trazer cursos que atendam às necessidades do mercado de Rio Preto, aproximar empresas de universidades, montar um banco de currículos no site da entidade. “As parcerias com universidades nos possibilitam dar a visão da empresa sobre o perfil do trabalhador que precisa”, afirma. 

Evolução do mercado formal projeta déficit

A evolução do mercado trabalho formal rio-pretense nos últimos quatro quadrimestres projeta uma defasagem no número de trabalhadores em relação às vagas disponíveis na cidade nos próximos dois anos.

A partir dos dados disponibilizados pelo Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Emprego e Trabalho (MTE), o Diário estimou a média mensal da demanda de postos de trabalho no município e relacionou com a população das faixas etárias de acesso ao mercado n os próximos dos anos. A conclusão é que a demanda no período será superior à oferta de mão de obra.

O cálculo começa com volume de empregos formais criados entre janeiro do ano passado e abril deste ano e contabilizados pelo Caged. Nestes 16 meses, o saldo entre contratações e demissões indica a abertura de 8.475 postos, representando que a demanda média mensal de mão de obra pelos setores empregadores da cidade é de 529 trabalhadores.

Assim, é possível afirmar que o mercado rio-pretense necessitará, nos próximos 24 meses, de pelo menos 12,7 mil trabalhadores para atender as empresas já instaladas. Essa demanda tende a se acelerar com a instalação de novos empreendimentos na cidade. Sem levar em consideração a geração natural de pequenos e médios novos negócios, os grandes empreendimentos anunciados para os próximos dois anos em Rio Preto preveem mais 4.650 trabalhadores que, somados aos 12,7 mil iniciais, acumulam a carência de 17.350 pessoas para preencher os empregos que devem ser abertos dentro de 24 meses. O nó da equação está na previsão de suprimento de mão de obra para atender toda esta demanda. As novas gerações rio-pretenses que estão ingressando no mercado de trabalho, a partir dos 16 anos de idade, não reúnem número suficiente para cobrir o déficit previsto.

Em 2010, a população jovem com 14 anos de idade era de 5,6 mil pessoas. Outros 5,9 mil rio-pretenses estavam com 15 anos. São essas duas faixas etárias que estarão ingressando no mercado de trabalho da cidade nos próximos dois anos. A massa de 11,5 mil potenciais novos trabalhadores é aquém da demanda dos 17.350 postos que devem ser abertos nos próximos 24 meses.

É importante lembrar, no entanto, que esses números estão sob algumas variáveis. Uma delas é de que parte deste público jovem não necessariamente ingressará no mercado por continuar seus estudos, por preferir alguma atividade por iniciativa própria ou por migrar para outras localidades. O que pode amenizar a situação também é a existência de um percentual de pessoas economicamente ativas ainda sem ocupação.

A demanda também pode sofrer aceleração à medida que o crescimento da economia favoreça a abertura de um número maior de empreendimentos. Ao mesmo tempo, a necessidade rio-pretense deverá ser suprida, em parte, pela população de cidades próximas e que tem em Rio Preto seu mercado de trabalho. A vinda de famílias também aumenta a oferta. 
 

 
 


 

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