Notícias

A+ A A-

28/08/2019

Em três anos de crise, setor de serviços acumula perda real de 6,9% no faturamento, diz IBGE

Compartilhe nas redes sociais  
O setor de serviços, atividade de maior peso na economia brasileira, é o que mais tem sofrido os efeitos da crise do país. Dados divulgados nesta quarta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que entre 2014 e 2017 o faturamento das empresas de serviço encolheu 6,9%, enquanto o número de empresas caiu 1,1% e o total de pessoal ocupado foi reduzido em 5,3%.

Segundo o levantamento, trata-se de uma queda real na receita operacional líquida das empresas prestadoras de serviços não financeiros, ou seja, já considerando as perdas inflacionárias do período. Na comparação com 2016, a queda real foi de 0,2%.
 
“A gente esperava que o setor de serviços pudesse se recuperar. Vimos outros setores se recompondo de alguma forma, mesmo que mínima, o que não ocorreu (com os serviços). A gente percebe que tanto os serviços prestados à família quanto os serviços profissionais, administrativos e complementares não se recuperaram do cenário que abateu a economia do país”, apontou Synthia Santana, gerente de análise e disseminação do IBGE.
 
Nestes três anos de crise, revela o levantamento, apenas duas das sete atividades que compõem o setor de serviços registraram aumento no faturamento – os serviços de informação e comunicação, e o de outras atividades de serviços, que incluem serviços auxiliares da agricultura, pecuária, produção florestal, seguros e previdência complementar, além de serviços de esgoto e coleta.

Synthia avaliou que, dentre as sete atividades, a de transportes é a que tem o maior potencial para alavancar a retomada do setor de serviços no país.
 
"O que a gente imagina é que, diante dos dados que a gente tem, o setor de transportes tem sido bastante importante porque, além da grande participação desta atividade no setor, ela está muito atrelada à matriz logística do país", apontou.

Queda no número de empresas

Nos mesmos três anos, o Brasil viu serem fechadas cerca de 8,4 mil empresas prestadoras de serviço, o que corresponde a uma redução de 1,1%.

As atividades que mais tiveram empresas fechadas foram as de serviços de manutenção e reparação (-12,4%), serviços de informação e comunicação (-7,4%), serviços prestados às famílias (-5%) e serviços de transportes e auxiliares de transportes e correio (-3,4%).

Em contrapartida, tiveram alta no número de empresas ativas os serviços profissionais, administrativos e complementares (3,4%), outros serviços (10,6%) e, principalmente, as atividades imobiliárias (32,9%).

Questionada sobre este aumento expressivo no número de empresas ligadas às atividades imobiliárias, a pesquisadora Synthia Santana disse que a Pesquisa Anual de Serviços não é capaz de apontar as razões desse salto.
 
"De fato, é atípico esse movimento, mas nós não conseguimos investigá-lo. Diante desse contexto de crise, as empresas estão se reorganizando e alterando suas formas de atuação. Isso pode ter levado a esse aumento", disse.
 
Uma das hipóteses seria a migração de trabalhadores contratados pelas empresas passarem a atuar como pessoa jurídica a partir do cadastro como Microempreendedor Individual (MEI), incentivado pelo governo a partir de 2014.

"Nós sabemos que isso ocorreu nos serviços prestados às famílias, especificamente nos segmentos de alimentação e cuidado de idosos, nos quais a gente viu que as empresas reforçam esse novo arranjo como efetivo. Salões de beleza, por exemplo, conseguem reorganizar cabeleireiros e manicures como pessoa jurídica", apontou a pesquisadora.

Quase 700 mil empregados a menos

Em 2017, o setor de serviços ocupava cerca de 12,3 milhões de trabalhadores, 688 mil a menos que em 2014, o que corresponde a uma queda de 5,3% no período.

Segundo o levantamento do IBGE, das sete atividades do setor, somente as atividades imobiliárias tiveram aumento do pessoal ocupado – uma alta de 17,2%. Já o pior desempenho foi dos serviços de manutenção e reparação, que viram seus recursos humanos se reduzirem em 8,8% nestes três anos.
 
Sudeste perde participação

O levantamento do IBGE mostrou também que a Região Sudeste do país se mantém com a maior representação na prestação de serviços não financeiros do país, ou seja, é a região com a maior participação na receita operacional líquida do setor.

No entanto, essa participação tem se reduzido ao longo da crise. O IBGE destacou que essa perda se dá em decorrência do aumento no faturamento nas regiões Centro-Oeste e Nordeste. O órgão enfatizou, no entanto, que isso não provocou uma mudança estrutural do setor.
 
Fonte: G1
Voltar Imprimir

Preencha o formulário e atualize o seu cadastro no CORECON.