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10/06/2019

Estudo do Cemec-Fipe mostra melhora na situação financeira de empresas

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A melhora nos resultados das empresas brasileiras no terceiro trimestre de 2017 foi influenciada, em grande parte, pela dinâmica mais favorável em relação às despesas financeiras, de acordo com levantamento do Centro de Estudos do Mercado de Capitais – Fipe (Cemec-Fipe).
        

No entanto, a pesquisa também aponta que, do ponto de vista de geração de caixa, as companhias abertas ainda não deram sinais expressivos de recuperação.
        

Considerando uma amostra com 255 empresas de capital aberto, o estudo acompanhou a evolução de alguns indicadores financeiros, de forma consolidada, desde 2010. A base de dados vai até o terceiro trimestre de 2017 — os resultados de outubro a dezembro começaram a ser divulgados em janeiro deste ano.
        

O levantamento mostra que, nos 12 meses encerrados no terceiro trimestre do ano passado, o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês, usado como indicador de geração de caixa) chegou a R$ 243,04 bilhões, considerando todas as empresas da amostra.
        

O resultado é 10,1% superior ao trimestre anterior, mas praticamente estável ante o primeiro trimestre (R$ 241,29 bilhões) e o fim de 2016 (R$ 242,84 bilhões).
        

“Não há sinais de recuperação [na geração de caixa] por causa de um aumento nas vendas”, diz o diretor do Cemec-Fipe, Carlos Antonio Rocca. “O processo de recuperação, até o terceiro trimestre, é discreto, moderado.”
        

Comportamento semelhante pode ser observado na dinâmica da dívida bruta das empresas. O indicador, que se manteve em queda entre 2015 e a metade de 2017, subiu para R$ 1,245 trilhão ao fim do terceiro trimestre do ano passado, alta de 6,4% na base trimestral.
       

Para Rocca, o ambiente internacional favorável pode ter estimulado as companhias a se endividarem em condições mais favoráveis. Além disso, o diretor do Cemec-Fipe analisa que muitas operações de financiamento podem ter sido antecipadas, dado o possível crescimento na instabilidade econômica com a proximidade das eleições. “O aumento foi pequeno, a observação principal é que não tivemos a continuidade de queda na dívida bruta.”
        

Se os indicadores de geração de caixa ainda não mostram claramente a recuperação das empresas, os números relacionados ao endividamento financeiro dão indícios mais claros de melhora. É o caso do índice de cobertura das despesas financeiras, que saltou de 1,57 vez no segundo trimestre de 2017 para 2,25 vezes no terceiro trimestre, maior patamar desde 2011.
        

Para Rocca, a evolução no indicador se deve à redução nas despesas financeiras, uma vez que o Ebitda se manteve praticamente estável. Ele explica que a queda no câmbio e na taxa de juros foi fundamental para essa diminuição, uma vez que grande parte desse saldo está indexado ao CDI ou denominado em moeda estrangeira.
        

Além disso, o levantamento mostra que, no terceiro trimestre, 35% das empresas de capital aberto apresentavam despesas financeiras maiores que o Ebitda, patamar semelhante ao de 2014 — no trimestre anterior, o indicador estava em 45,5%.
        

Por outro lado, ao segmentar as empresas da amostra por porte, o estudo revela uma grande disparidade no índice de cobertura. Entre as companhias grandes — com receita operacional bruta superior a R$ 300 milhões –, cerca de 25% apresentam despesas financeiras maiores que a geração de caixa. Já no grupo das pequenas, com receita operacional bruta inferior a R$ 90 milhões, o indicador salta para 75%.
        

“Empresas de grande porte costumam ter uma fatia maior do mercado de capitais e têm acesso a empréstimos externos”, diz Rocca, ressaltando que os custos e condições dos financiamentos para esses grupos melhoraram ou permaneceram favoráveis, acompanhando a taxa de juros.
        

“As companhias menores usam mais crédito bancário, e essas taxas têm respondido com menos intensidade que a queda do CDI.” (do Valor Econômico).

 

Fonte: CNF

 

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