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15/05/2019

Empreendedorismo: o "jeitinho brasileiro" ganha força na relação Brasil e China. Leia no artigo do especialista em Direito Econômico, Thomas Law

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O mundo mudou a uma velocidade incrível nos últimos dez anos. O Brasil vem acompanhando essa evolução apesar das suas dificuldades. O conhecido “jeitinho brasileiro” foi ressignificado: deixou de ser o “levar vantagem em tudo” para representar o empreendedorismo de empresários e profissionais de diversos setores econômicos do País.

O Brasil se debate para superar uma das piores crises econômica-política-social das últimas décadas enquanto países avançados (e um grupo de emergentes liderados pela China) avançam de forma acelerada nas trilhas das Tecnologias e Inovação (T&I). A corrupção endêmica agravou a situação do Brasil, aniquilando a capacidade de investimento do Estado. Corroeu a confiança das empresas. Derrubou os investimentos público e privado em áreas essenciais do país, como a infraestrutura.

O desemprego ceifou milhões de postos de trabalho. Muito mais do que os 13 milhões que são anunciados. Uma realidade que levou parte da população brasileira a “se virar”,  a buscar alternativas ao emprego formal. A empreender. Abrir seu próprio negócio, seja na área que for, pela necessidade de sobrevivência. Estes "empreendedores por necessidade" atuam independente de qualquer vínculo trabalhista, encarando uma nova atividade profissional por sua conta e risco.

No cenário mundial, entendemos que o IBRACHINA (Instituto Sociocultural Brasil e China) pode estabelecer um intercâmbio entre esses novos empreendedores brasileiros e os chineses. O Instituto propõe uma aproximação com consultores de negócios e também a criação de parcerias estratégicas com entidades e instituições que promovem o empreendedorismo. O trabalho envolve todo o processo, do início de uma ideia até a concretização e solidificação da empresa, um estágio mais avançado da operação comercial.

As startups surgiram nesse contexto. A palavra de língua inglesa  significa “o ato ou processo de iniciar uma operação ou movimento”. O termo foi adotado há algumas décadas para se referir a negócios recém-constituídos, com baixo custo de manutenção e elevado grau de incerteza de sucesso. Os empreendedores deste modelo buscam um crescimento rápido. Atuam na oferta de produtos ou serviços inovadores no mercado em que estão inseridos, com alto potencial de escalabilidade. Geralmente utilizam a internet ou outras tecnologias inovadoras.

Enquanto isso na China encontramos o Chinnovation. Um movimento dos empresários chineses que tem revolucionado as empresas tradicionais daquele país, propondo um pensamento inovador no mercado de consumo nacional. Essa ideia tem o objetivo de aplicar modificações em estratégias de tecnologia e comércio, gerando novas formas de criar valor para o consumidor e para a corporação. 

O Chinnovation possui oito características distintas denominadas os Oito “R” do Chinnovation: 1) Receita; 2) Rapidez; 3) Requisitos; 4) Reprodução; 5) Rivais; 6) Restrições; 7) Recombinar; 8) Raw Materials (matérias-primas).

A China possui três importantes fatores que fazem com que os interesses sejam convergentes para potencializar oportunidades e fortalecer a parceria entre os dois países: capital humano (densidade de empresários querendo fazer negócios); capital intelectual (densidade de PhD em Ciência e Tecnologia); e capital financeiro (densidade de empresa de financiamento e poder de compra).

Voltando ao nosso país, o brasileiro possui características como criatividade, inteligência, coragem e perspicácia. Habilidades importantes para a criação de startups. Entretanto, por ser inexperiente, a startup ainda precisa de um modelo de negócios definido. Isso cria um alto grau de incerteza quanto à capacidade de geração de receitas e de apropriação de excedentes por parte dos sócios e investidores, devido à indeterminação do tamanho do mercado, da ação dos concorrentes, mudanças institucionais e conhecimento dos desejos dos consumidores, etc.

Esses fatores, aliados ao princípio da ordem econômica previsto na Constituição Federal de 1988, favorecem a necessidade de um elo de comunicação, uma cooperação intelectual, de inovação e tecnologia entre o Brasil e a China. No contexto de serem os maiores parceiros no comércio bilateral há pelo menos uma década, ambos têm fortes características para ampliar a chamada política do “ganha-ganha”, gerando mais empregos às populações e divisas nos dois países.

Thomas Law - Advogado. Especialista em direito econômico pela GV-LAW, Mestre em Direito Internacional pela PUC/SP, Doutorando em Direito Comercial pela PUC/SP, membro do IASP, Conselheiro diretivo da APECC e Presidente do Ibrachina.

 

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