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10/05/2019

Inflação fica em 0,57% em abril, maior taxa para o mês desde 2016

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, ficou em 0,57% em abril, abaixo da taxa de 0,75% de março, segundo divulgou nesta sexta-feira (10) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar da desaceleração, trata-se da maior taxa para um mês de abril desde 2016, quando o índice foi de 0,61%. A inflação de abril foi pressionada principalmente pela alta dos preços de alimentos, combustíveis e remédios.

Nos 4 primeiros meses de 2019, a inflação se situou em 2,09%.

Alta de 4,94% em 12 meses

Com o resultado de abril, o índice acumulado em 12 meses avançou para 4,94%, contra os 4,58% nos 12 meses imediatamente anteriores, ficando um pouco mais distante da meta central de inflação do governo para 2019, que é de 4,25%. Segundo o IBGE, trata-se do maior índice para o período de 12 meses desde janeiro de 2017 (5,35%).

Os números do IBGE ficaram abaixo das expectativas do mercado. Pesquisa da Reuters projetava altas de 0,63% na base mensal e de 5% em 12 meses.

"A desaceleração do IPCA na verdade é uma devolução, um retorno de altas que aconteceram em março especialmente nos alimentos e nos combustíveis", explicou o economista do IBGE Fernando Gonçalves, destacando que o índice acumulado em 12 meses “ainda tem a influência da alta de 1,26% de junho do ano passado, por causa da greve dos caminhoneiros”.

Gasolina, tomate e remédios foram os vilões do mês

A inflação de abril foi pressionada principalmente pela alta dos preços dos grupos alimentação e bebidas (0,63%), transportes (0,94%) e saúde e cuidados pessoais (1,51%).

"Juntos, estes três grupos responderam por 89,5% do índice do mês, com impactos de 0,16 ponto percentual (p.p.), 0,17 p.p. e 0,18 p.p., respectivamente", destacou o IBGE.

Já os principais impactos individuais no mês, segundo o IBGE, vieram das altas da gasolina (2,66%), tomate (28,64%) e dos remédios (2,25%), refletindo este último o reajuste anual, em vigor desde 31 de março, com teto de 4,33%. No acumulado em 12 meses, os 3 itens têm alta, respectivamente, de 5,60%, 68,22% e 1,94%.

Outros destaques de alta no mês foram passagem aérea (5,32%), ônibus urbano (0,74%) e plano de saúde (0,80%), diesel (1,31%).

No grupo alimentação, os preços que mais pesaram no IPCA, depois do tomate, foram os do frango inteiro (3,32%), cebola (8,62%) e carnes (0,46%). Por outro lado, ficaram mais baratos o feijão-carioca (-9,09%) e as frutas (-0,71%).

Veja a inflação de abril por grupos pesquisados e o impacto de cada um no índice geral:

• Alimentação e Bebidas: 0,63% (0,16 ponto percentual)
• Habitação: 0,24% (0,04 p.p.)
• Artigos de Residência: -0,24% (-0,01 p.p.)
• Vestuário: 0,18% (0,01)
• Transportes: 0,94% (0,17 p.p.)
• Saúde e Cuidados Pessoais: 1,51% (0,18 p.p.)
• Despesas Pessoais: 0,17% (0,02 p.p.)
• Educação: 0,09% (0 p.p.)
• Comunicação: 0,03% (0 p.p.)
 
Perspectivas e meta de inflação

A meta central de inflação deste ano é de 4,25%, e o intervalo de tolerância varia de 2,75% a 5,75%. A meta é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic), que está estacionada há um ano na mínima histórica de 6,5%.

Os analistas das instituições financeiras continuam projetando uma inflação abaixo do centro da meta do governo, com uma taxa de 4,04% em 2019, indo a 4% em 2020, segundo a última pesquisa "Focus" do Banco Central.

Em março, o BC avaliou que a inflação deveria atingir seu "pico", em 12 meses, em abril e maio, para depois recuar para patamar abaixo do centro da meta.

Em seu comunicado sobre a decisão de manter a taxa de juros inalterada, o BC disse na quarta-feira (8) que o processo de reformas e ajustes na economia brasileira é "essencial" para a manutenção da inflação baixa no médio e no longo prazos.

Segundo o Copom, "o nível de ociosidade elevado pode produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado", e citou ainda uma "frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira" - o que poderia, segundo o comitê, "afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária".

 

Fonte: G1

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