Notícias

A+ A A-

09/05/2019

Vendas do comércio crescem 0,3% em março, mas recuperação do setor perde fôlego

Compartilhe nas redes sociais  

As vendas do comércio varejista brasileiro cresceram 0,3% em março, na comparação com o mês anterior, após ficarem estáveis em fevereiro, confirmando um ritmo mais fraco da economia brasileira neste começo de ano, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com março do ano passado, o volume de vendas caiu 4,5%, interrompendo uma sequência de 7 sete meses de alta nesta base de comparação. Foi também a variação negativa mais acentuada desde dezembro de 2016 (-4,9%).

Segundo o IBGE, a queda nesta base de comparação foi pressionada significativamente pelo efeito calendário: por conta do carnaval, março deste ano teve menos dias úteis, e a Páscoa este ano caiu em abril. “Isso traz uma influência forte para uma atividade que tem um peso 48,6%, que é hipermercados", explicou a gerente da pesquisa, Isabella Nunes.

No acumulado no ano, a alta ficou em 0,3%. Em 12 meses, as vendas do varejo desaceleraram para 1,3%, ante 2,3% em fevereiro, mantendo trajetória decrescente verificada desde agosto de 2018 e confirmando a perda de força da recuperação do setor.

Com os resultados de março, o patamar de vendas do setor ficou 6,1% abaixo do ponto mais alto da série histórica, alcançado em outubro de 2014, segundo o IBGE.

Alta de 0,2% no 1º trimestre

O comércio fechou o 1º trimestre com alta de 0,2% nas vendas, na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o que também mostra uma perda de fôlego do setor. No 4º trimestre do ano passado, houve alta de 0,6%.

“Foi a nona taxa positiva seguida, mas que indica uma estabilidade do setor e mostra claramente a perda de fôlego”, disse a gerente da pesquisa, Isabella Nunes.

Desempenho por atividade

Das 8 atividades pesquisadas pelo IBGE, 5 registraram queda no volume de vendas em março, na comparação com fevereiro, com destaque para hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,4%), combustíveis e lubrificantes (-0,8%) e tecidos, vestuário e calçados (-2,5%).

“Dois grupamentos fortes, combustíveis e hipermercados, mostram resultados negativos pelo segundo mês consecutivo. Isso tem alguma relação com uma pressão de preços, se observamos a inflação”, avaliou a pesquisadora.

Já o indicador de vendas do comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, avançou 1,1% em março, na comparação com o mês anterior, com veículos, motos, partes e peças registrando crescimento de 4,5% e material de construção com taxa de 2,1%.

Por sua vez, a receita nominal do varejo subiu 0,8% na passagem de fevereiro para março, pela série com ajuste sazonal. No confronto a março de 2018, a receita do setor teve alta de 0,2%.

Veja o desempenho de cada segmento em março:

• Combustíveis e lubrificantes: -0,8%
• Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: -0,4%
• Tecidos, vestuário e calçados: -2,5%
• Móveis e eletrodomésticos: -0,1%
• Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria: 1,4%
• Livros, jornais, revistas e papelaria: -4,1%
• Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação: 2,9%
• Outros artigos de uso pessoal e doméstico: 0,7%
• Veículos, motos, partes e peças: 4,5%
• Material de construção: 2,1%

Para a equipe econômica da Boa Vista, a queda da confiança e o elevado nível de desemprego são os principais fatores por trás do fraco desempenho das vendas do varejo neste início de ano.

“Após o fim do impulso da liberação dos recursos do FGTS, setores como o de móveis e eletrodomésticos, principalmente, perderam fôlego. Até há crédito, os juros estão mais baixos, mas a insegurança a respeito do futuro ainda é alta, o que leva os consumidores a evitarem o endividamento", avaliaram os economistas Flávio Calife e Vitor França em nota.

Fonte: G1

Voltar Imprimir

Preencha o formulário e atualize o seu cadastro no CORECON.