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31/01/2019

Desemprego quase dobra em 4 anos e atinge 12,8 milhões de pessoas em 2018

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Do UOL, em São Paulo

31/01/2019 09h14

 

 

De 2014 a 2018, o número de desempregados quase dobrou no Brasil: passou de 6,7 milhões para 12,8 milhões (alta de 90,3%), segundo dados divulgados nesta quinta-feira (31) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

No ano passado, a taxa média anual de desocupação foi de 12,3%, queda de 0,4 ponto percentual em relação a de 2017 (12,7%). A redução em 2018 interrompeu a trajetória de crescimento anual do número de desempregados desde 2015. Segundo os dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, 2014 teve a menor taxa desde o início da pesquisa (6,8%), em 2012. 

 

Dados do último trimestre de 2018

 

Considerando somente os dados do trimestre terminado em dezembro, o desemprego no país foi de 11,6%, em média. O índice caiu 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (11,9%). Na comparação com o mesmo período do ano passado (11,8%), o quadro é considerado estável pelo instituto.

Segundo o IBGE, o número de desempregados no Brasil foi de 12,2 milhões de pessoas no último trimestre. Isso representa queda de 2,4% em relação ao trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período de 2017, houve estabilidade. 

A pesquisa não usa só os trimestres tradicionais, mas períodos móveis (como fevereiro, março e abril; março, abril e maio etc.). 

 

Informalidade recorde

 

A queda da taxa média de desemprego no país registrada de 2017 para 2018 não foi acompanhada pela criação de vagas com carteira. Segundo o IBGE, os indicadores de informalidade estão no patamar mais alto da série da pesquisa, iniciada em 2012. O número de empregados sem carteira assinada no setor privado, excluídos domésticos, chegou a 11,2 milhões no ano passado.

De acordo com o IBGE, os trabalhadores por conta própria atingiram em 2018 os 23,3 milhões, pouco mais de um quarto do total da população ocupada no país. O total de empregados domésticos foi de 6,2 milhões de pessoas, sendo que, desse total, menos de um terço (29,2%) tinham carteira assinada, o menor percentual desde 2012.

"Esses números refletem uma tendência que vínhamos observando, do aumento da informalidade se opondo à queda na desocupação", afirmou o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo. 

 

Vagas com carteira e rendimento

 

O número de empregados com carteira de trabalho assinada foi de 32,9 milhões em 2018. Em 2014, quando esse grupo atingiu o nível mais alto da série da pesquisa, eram 36,6 milhões. 

Segundo o IBGE, o rendimento médio do trabalhador ficou em R$ 2.238 no trimestre de setembro a novembro, resultado considerado estável em ambas as comparações.

 

Desalento 

 

De acordo com o IBGE, o país registrou 4,7 milhões de pessoas em situação de desalento (que desistiram de procurar emprego) em 2018, maior valor da série da pesquisa. Em relação a 2017, o crescimento foi de 13,4%. Em 2014, a estimativa era de 1,5 milhão de pessoas.

A população desalentada é definida como aquela que estava fora da força de trabalho por uma das seguintes razões: não conseguia trabalho, ou não tinha experiência, ou era muito jovem ou idosa, ou não encontrou trabalho na localidade --e que, se tivesse conseguido trabalho, estaria disponível para assumir a vaga.

 

Recuperação lenta

 

O mercado de trabalho vem mostrando dificuldade de recuperação diante do crescimento da economia.

Pesquisa Focus mais recente do Banco Central, que ouve cerca de uma centena de economistas toda semana, mostrou que as expectativas para crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano estavam em 2,5%.

 

Metodologia da pesquisa

 

A Pnad Contínua é realizada em 211.344 casas em cerca de 3.500 municípios. O IBGE considera desempregado quem não tem trabalho e procurou algum nos 30 dias anteriores à semana em que os dados foram coletados.

Existem outros números sobre desemprego apresentados pelo Ministério do Trabalho, com base no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Os dados são mais restritos porque consideram apenas os empregos com carteira assinada.

 

(Com Reuters).

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