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18/12/2018

Sensor Econômico "Balanço de Riscos Favorável par Inflação e Taxa de Juros"

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BALANÇO DE RISCOS FAVORÁVEL PARA INFLAÇÃO

E TAXA DE JUROS

 Eduardo Velho*

 

O Banco Central divulgou o seu comunicado em relação às perspectivas da política monetária. O Corecon-SP avalia que o balanço de riscos melhorou em relação ao trimestre anterior no que se refere à taxa de juros e à inflação. De fato, a mediana das expectativas de inflação anual (IPCA) tem recuado de forma sistemática, para 3,89% em 2018 e para 4,11% para 2019, portanto, inferiores às metas centrais de 4,5% e 4,25%, respectivamente. O mercado precificava com maior probabilidade até meados do quarto trimestre uma elevação da taxa básica de juros em 2019 para 8%, mas nas últimas semanas essa mediana recuou para 7,5%. O Corecon-SP tem mantido uma previsão da manutenção da Selic em 6,5% até dezembro de 2019.

No comunicado de outubro, o modelo do Bacen estimava no cenário de juros constantes de 6,5% e câmbio constante de R$ 3,70, taxas de inflação de 4,4% em 2018 e de 4,2% próximas das metas centrais. Além disso, a taxa de câmbio aumentou na média às vésperas do Copom de dezembro. Entretanto, o diferencial de expectativa do IPCA à meta melhorou. Esse diferencial recuou entre outubro e dezembro, o que corrobora que não haveria necessidade de elevar os juros para cumprir a meta central de 4,2%.

Quadro 1 – Mediana das Expectativas da Inflação Anual e EUA: Diferencial de retorno (Yield) : Treasury de 10 anos / Treasury de 2 anos

Fonte: Banco Central e ValorPro  /  Elaboração: Corecon-SP

  

O Corecon-SP avalia que o Bacen foi prudente a não se comprometer com os próximos passos da política monetária. Deve-se ressaltar a importância das reformas para a perspectiva da taxa de juros futura e para o equacionamento das contas públicas no médio prazo e, portanto, dos rumos da política monetária e do investimento.  De fato, a despeito da redução das previsões de inflação, as incertezas persistem no tocante ao avanço e aprovação das reformas estruturais e também sobre o ajuste fiscal de curto prazo. O adiamento da votação do projeto da cessão onerosa do pré-sal não é um fato positivo e o formato da reforma da Previdência ainda demanda ampla negociação. De qualquer forma, o Corecon-SP está moderadamente otimista com uma aprovação de uma minirreforma da Previdência até o final do primeiro semestre de 2019, priorizando o aumento da idade mínima de aposentadoria.

Uma estagnação das reformas estruturais repercutiria de forma antecipada nos preços dos ativos domésticos, através da desvalorização do real e elevação do prêmio de risco e das taxas de juros futuros, gerando uma reversão das expectativas de crescimento econômico e da inflação. Por isso, o Copom do Bacen não deveria ressaltar no comunicado de dezembro que o balanço de riscos “está plenamente mais simétrico”.

Além disso, as incertezas em relação à perspectiva de crescimento mundial estariam mais acentuadas em relação ao comunicado e à ata do Bacen, ambos de outubro. Para a economia global, estima-se um crescimento médio de 3,5% para 2019. Após registrar taxas anualizadas de crescimento entre 4% e 4,5% a.a., as previsões do PIB dos Estados Unidos apontam para desaceleração nos trimestres seguintes, de 2,8% em 2018 para 2,5% para 2019. Os indicadores da China sugerem que a desaceleração é gradual, mas deve persistir, de 6,6% para 6,0% para 2019, pois também o tamanho das dívidas das empresas chinesas limita uma reversão desse quadro.

O Corecon-SP está otimista com a perspectiva de crescimento da economia brasileira, sendo que esperamos uma revisão gradual para cima da mediana das expectativas do mercado para a taxa real de expansão do PIB do atual 2,53%. Nossos modelos econométricos apontam taxas reais de expansão superior a 3% no biênio 2019-2020. A sustentabilidade de taxas de crescimento econômico superiores a 3% dependerá da elevação das taxas de investimento de 16% a 17% do PIB para um intervalo de 20% a 22% do PIB, mas também do sequenciamento de aprovação das reformas do que propriamente estímulos do ciclo de commodities e/ou de um parceiro relevante do comércio mundial. Conclui-se que o balanço de riscos é favorável para a política monetária, mas o contexto internacional e o sequenciamento dos projetos fiscais sancionam um cenário ainda assimétrico.

  

Quadro 2 – Contas externas e Dívida Bruta (% PIB)

Fonte: Banco Central e ValorPro  /  Elaboração: Corecon-SP

 

 

Eduardo Velho é Conselheiro do  Corecon-SP e Economista Chefe da GO Associados.

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